Termostato redondo com o ponteiro disparado na zona quente e ondas de calor, em aro de ouro sobre fundo creme e mahogany, sem pessoa

Fezolinetanto (VEOZA): tratamento não hormonal para ondas de calor aprovado pela ANVISA

ANVISA aprova o fezolinetanto (VEOZA), 1º tratamento não hormonal para as ondas de calor da menopausa. Para quem não pode ou não quer hormônio.

Há uma história que se repete no consultório. Uma mulher na casa dos 50, moradora aqui da região, que há quase três anos acorda de madrugada encharcada, abre a janela no meio de junho procurando um vento que não vem, e durante o dia sente o calor subir do peito para o rosto na frente de quem for. Ela já ouviu que era "coisa de idade". Já ouviu que era para aguentar.

O que poucas pessoas contaram a ela é que esse calor tem origem, tem nome, e que até esta semana faltava uma opção de tratamento para quem, como ela, não pode usar hormônio por causa de um histórico na família.

O que mudou nesta semana

A ANVISA aprovou o fezolinetanto, vendido com a marca VEOZA, da Astellas Farma. É o primeiro tratamento não hormonal registrado no Brasil para as ondas de calor e os suores noturnos moderados a intensos da menopausa (ANVISA, Resolução RE nº 2.430, de 18 de junho de 2026, publicada no DOU de 22 de junho de 2026, Edição 144, Seção 1, página 81).

É um comprimido de uso diário, por boca. Não repõe estrogênio. E abre uma porta que estava fechada para uma mulher específica: a que tem contraindicação ao hormônio, ou a que simplesmente decidiu não usá-lo.

Vale dizer com todas as letras logo de saída, porque é o coração desta notícia: esta aprovação não é para toda mulher na menopausa. Quem está bem com a terapia hormonal não precisa trocar nada. O fezolinetanto chega para um público de recorte claro, a mulher que não pode usar hormônio, por contraindicação médica, ou que não quer, por escolha informada.

O retrato brasileiro, em um número

Um dado ajuda a entender por que isso importa tanto por aqui: 36,2% das mulheres brasileiras na menopausa, de 40 a 65 anos, têm sintomas vasomotores moderados a intensos, mais que o dobro da média global, de 15,6% (Menopause, levantamento internacional em Brasil, Canadá, México e Europa Nórdica, 2023, DOI 10.1097/GME.0000000000002265).

Mas a novidade não é para esses 36% inteiros. É para a fração dentro deles que precisa de uma rota sem hormônio. É essa a leitura honesta do número.

Para quem essa opção faz mais diferença

A leitura honesta do número anterior pede um passo a mais: dizer, sem rodeio, para quem essa porta recém-aberta tende a importar de verdade. Não é para toda mulher na menopausa. É para alguns perfis bem definidos, e sempre com avaliação médica.

  • Mulheres com histórico de trombose. O histórico de trombose é uma das situações clássicas em que a terapia hormonal costuma estar contraindicada. Para essas mulheres, ter uma rota sem hormônio para as ondas de calor amplia o que se pode oferecer.

  • Mulheres que não podem usar hormônio, o que inclui quem está em tratamento oncológico. Há mulheres para quem a via hormonal não é uma opção, e isso inclui quem está em tratamento de câncer de mama. Para elas, passa a existir uma alternativa não hormonal voltada às ondas de calor e aos suores noturnos, sempre com avaliação médica. É importante a clareza: esse remédio cuida do sintoma de calor, não atua sobre o câncer.

  • Mulheres com perfil metabólico que pede olhar individualizado. Obesidade, diabetes ou um histórico de diabetes gestacional são quadros que costumam pedir uma avaliação caso a caso sobre a melhor rota da menopausa. A decisão sobre usar ou não hormônio é sempre médica, e uma alternativa não hormonal entra como mais uma possibilidade a pesar em consulta.

  • Mulheres que já passaram da janela ideal da terapia hormonal e seguem com sintomas. Existe um período em que a terapia hormonal costuma ser mais bem indicada. Há mulheres que ultrapassaram essa janela e ainda convivem com ondas de calor que atrapalham o sono e o dia. Para esse grupo, uma opção sem hormônio amplia o leque do que se pode avaliar.

  • Mulheres que, podendo usar hormônio, decidiram não usar. Há quem, depois de uma conversa informada com o médico, simplesmente prefira não seguir pela via hormonal. Essa escolha é legítima, e até esta semana faltava uma alternativa registrada para as ondas de calor de quem decide assim.

Em todos esses casos, a frase é a mesma: mais uma possibilidade para individualizar o cuidado, nunca um caminho a iniciar por conta própria. É medicamento de prescrição, com necessidade de acompanhamento, em especial do fígado, como esta notícia detalha mais adiante.

Por que a onda de calor acontece (e por que isso importa)

A onda de calor não começa na pele. Começa no cérebro.

Antes da menopausa existe um equilíbrio entre o estrogênio e uma substância cerebral chamada neurocinina B. Esse equilíbrio regula o termostato do corpo, que fica numa região do cérebro, o hipotálamo. Quando o estrogênio cai na menopausa, o equilíbrio se rompe. O termostato passa a disparar falsos alarmes de calor.

O fezolinetanto age exatamente nesse ponto. Ele é um antagonista do receptor de neurocinina 3, da classe que os médicos chamam de NK3. Bloqueia a ligação da neurocinina B nos neurônios KNDy do hipotálamo e ajuda a reequilibrar o centro de temperatura. Sem hormônio. Direto na biologia da onda. Por isso vale guardar a frase: a onda de calor começa no cérebro, naquele termostato interno que voltou a acender por engano, e é ali, na chama do termostato, que o tratamento mira para reequilibrar.

Repare numa coisa, porque ela é a chave da conversa de hoje: o fezolinetanto é o primeiro de uma classe inteira a chegar aqui. Falar só da marca seria pequeno. O que chegou foi um mecanismo novo.

A evidência por trás da aprovação

A aprovação se apoia no programa de Fase 3 chamado BRIGHT SKY, três ensaios clínicos que somaram mais de 3.000 participantes na Europa, nos Estados Unidos e no Canadá.

Foram os estudos SKYLIGHT 1 (registro NCT04003155), SKYLIGHT 2 (NCT04003142) e SKYLIGHT 4 (NCT04003389), este último voltado à segurança de longo prazo. O conjunto, mais de 3.000 mulheres acompanhadas, é o que sustentou o registro: redução das ondas de calor e dos suores noturnos moderados a intensos, medida ao longo dos meses.

É bom ser preciso aqui. A evidência mostra alívio real das ondas de calor, num tipo de mulher para quem antes só restava conviver. Cura da menopausa ele não traz, e seria desonesto prometer isso.

Quer entender se a opção sem hormônio faz sentido para o seu caso? Converse com a nossa equipe pelo WhatsApp e agende uma avaliação: (75) 3251-2789.

A parte que mais importa para o jeito C+Med de cuidar

Aqui entra a honestidade que define a casa.

O fezolinetanto pede atenção ao fígado. A agência reguladora dos Estados Unidos incluiu, em 16 de dezembro de 2024, uma tarja preta, o nível máximo de alerta, sobre risco raro de lesão hepática grave. Nos ensaios clínicos, cerca de 2,3% das mulheres tiveram elevação das enzimas do fígado acima de três vezes o limite (FDA, comunicação de segurança, 16 de dezembro de 2024).

Por isso a recomendação de segurança é clara: dosar as enzimas hepáticas antes de começar, e monitorar de perto, com testes nos meses 1, 2, 3, 6 e 9.

E tem um detalhe que liga este remédio novo a outro tema da nossa semana, o fígado metabólico. Um estudo de modelagem de toxicidade publicado em 2026 mostrou que o risco de elevação de enzimas é dose-dependente e maior numa população com fígado gorduroso metabólico, com função mitocondrial comprometida (Clinical Pharmacology and Therapeutics, 2026, segundo o PubMed).

Em português direto: a mulher que já tem síndrome metabólica, diabetes ou que já viu "gordura no fígado" num exame pode estar mais vulnerável ao efeito hepático desse medicamento.

A leitura do Dr. José Marcos é simples. Antes de qualquer conduta, investigar o fígado, com o exame de sangue FIB-4 e, quando indicado, a elastografia, é cuidado, não excesso. É o território do FORJA Para Mulheres, o programa de seis meses conduzido pelo Dr. José Marcos: medir antes, durante e depois. É o princípio de investigar antes de intervir aplicado a uma droga nova e desejada. O C+Lab entra exatamente aqui.

Leitura Cruzada: por que o fígado entra na conversa

O remédio novo, o fígado antigo

Quem acompanha o FORJA Para Mulheres já conhece essa lógica. O corpo não é feito de gavetas separadas. O hormônio fala com o metabolismo, e o fígado é o tradutor. Um remédio novo que pede fígado saudável encontra, em muitas mulheres, um fígado que já vinha adoecendo em silêncio.

Como essa conversa começou

O mesmo boletim científico desta semana trouxe um trabalho de coorte real, o TARGET-NASH, com 1.964 adultos, mostrando que a doença do fígado metabólico avança sem doer e que os exames não invasivos avisam antes. Rigidez hepática entre 10 e 15 kPa na elastografia se associou a um risco de cirrose cerca de 3,5 vezes maior do que abaixo de 10 kPa (Hepatology Communications, segundo o PubMed).

A ponte entre eles

Junte as duas peças. Um remédio novo que pede fígado saudável. Um fígado que adoece sem doer. A ponte entre eles é o exame feito na hora certa. É por isso que, no jeito do Dr. José Marcos de conduzir, o fígado se investiga antes de a primeira receita ser escrita, e não depois do primeiro susto.

Um sinal a vigiar, dito com honestidade

Não seria sério terminar sem isto.

Uma revisão de 2026 levantou a possibilidade de aumento de risco de neoplasias com o fezolinetanto, a partir de meta-análise, com uma hipótese de mecanismo ligada à via da neurocinina. Os reguladores, até aqui, não confirmaram esse risco, e o tema segue em investigação (Journal of the Endocrine Society, 2026, segundo o PubMed).

Isso não é alarme. É vigilância. A maneira certa de tratar um sinal assim é acompanhar, comunicar sem assustar e não afirmar uma causa que ainda não está provada. É também mais um motivo para que esse medicamento caminhe sempre ao lado de um médico, com avaliação e retorno.

O que vem depois desta marca

O fezolinetanto é o primeiro da classe a chegar ao Brasil. Mas a classe é maior do que ele. Já existe lá fora o elinzanetanto, antagonista duplo de neurocinina 1 e 3 (programa OASIS), aprovado nos Estados Unidos e na Europa.

Dizemos isso por uma razão de princípio. A C+Med fala da ciência, não do balcão da farmácia. O que interessa para a sua decisão é a opção certa para o seu corpo, definida em consulta.

Perguntas que as mulheres estão fazendo

O fezolinetanto serve para quem não pode usar hormônio?

Foi pensado justamente para essa necessidade. É um tratamento não hormonal para as ondas de calor e os suores noturnos moderados a intensos. Por ser medicamento de prescrição, com necessidade de monitorar o fígado, a indicação é sempre médica, depois de avaliação individual. Para quem está bem com a terapia hormonal, ele não é obrigatório.

Como o fezolinetanto funciona se não é hormônio?

Ele age no cérebro, no centro que regula a temperatura do corpo. Bloqueia uma via chamada neurocinina 3 e ajuda a desligar os falsos alarmes de calor que aparecem quando o estrogênio cai. Não repõe hormônio nenhum.

O fezolinetanto aumenta o risco de câncer?

Até aqui, não há essa confirmação. Uma revisão de 2026 levantou um sinal teórico, ainda em investigação, e os reguladores não confirmaram aumento de risco de neoplasias. O que existe é vigilância, não alarme. O caminho correto diante de um sinal assim é acompanhar de perto, com médico, e não tomar por conta própria nem por medo nem por entusiasmo.

Por que preciso fazer exame de fígado para tomar esse remédio?

Porque ele tem alerta de risco raro de lesão hepática, e o risco é maior em quem já tem o fígado metabólico. O protocolo recomenda dosar as enzimas do fígado antes de iniciar e acompanhar nos meses 1, 2, 3, 6 e 9. Investigar antes é segurança, não burocracia.

Quanto tempo demora para o calor melhorar?

Nos estudos, parte das mulheres percebeu redução das ondas de calor já nos primeiros dias de uso. A resposta varia de pessoa para pessoa, e o acompanhamento médico é o que ajusta o caminho. Não prometemos resultado, orientamos avaliação.

Esse remédio é o mesmo que reposição hormonal?

Não. A reposição hormonal devolve estrogênio ao corpo. O fezolinetanto não é hormônio, age por outro mecanismo. Por isso ele é uma opção para quem não pode ou não quer a via hormonal. Qual caminho serve para você é decisão de consulta.

Como a C+Med conduz isso

A nossa posição é a de sempre. Diante de uma novidade desejada, o cuidado vem na frente.

Para as ondas de calor da menopausa, a chegada do fezolinetanto amplia o que se pode avaliar dentro do FORJA Para Mulheres, o programa de seis meses conduzido pelo Dr. José Marcos que olha o eixo metabólico, hormonal e de longevidade da mulher madura. Antes de qualquer prescrição, a leitura do fígado e do quadro geral pelo C+Lab ajuda o tratamento certo a chegar à mulher certa, com acompanhamento ao longo do caminho. Essa mesma lógica de medir antes de intervir é o que sustenta toda a área de saúde da mulher na casa.

Deixo registrada a leitura que carrego para o consultório. A menopausa não se trata com protocolo pronto. Cada mulher é única, e a melhor estratégia quase nunca cabe numa só receita. Muitas vezes ela combina o recurso terapêutico certo com atividade física, alimentação adequada, sono melhor, saúde intestinal, composição corporal e manejo do estresse. É essa leitura de conjunto que o FORJA Para Mulheres foi desenhado para sustentar ao longo dos seus seis meses.

Sobre a novidade desta semana, o ponto é de princípio. Ela amplia o leque, sem fechar nenhuma porta. A terapia hormonal segue sendo uma excelente opção quando bem indicada, e quem está bem com ela pode seguir tranquila. O que passou a existir é mais um caminho para individualizar o cuidado de quem não pode ou não quer a via hormonal. O mais importante não é escolher um lado. É escolher, em consulta, o que faz sentido para o seu corpo.

A conversa começa com uma avaliação. Pense assim: você já paga por uma saúde que só trata quando o problema aparece. O que muda aqui é a ordem, medir primeiro, intervir com critério depois. Sem promessa, com método. O que envelhecer bem exige é tempo medido, não milagre.

Se o calor da menopausa está atrapalhando o seu sono e o seu dia, fale com a nossa equipe pelo WhatsApp e agende uma avaliação no FORJA Para Mulheres: (75) 3251-2789.


Conteúdo informativo de saúde, não substitui consulta médica. O fezolinetanto (VEOZA) é medicamento de prescrição que exige avaliação e monitoramento médico, em especial do fígado. Não inicie nenhum tratamento por conta própria. Autoria: Dr. José Marcos Ferreira Neves, CRM-BA 13571, ginecologista, RQE 9695, com pós em medicina preventiva e longevidade. Revisão do corpo médico C+Med. Conteúdo em revisão médica.