Mulher jovem de perfil, serena, sentada em consultório de tons azul-petróleo com luminária acesa e monitor de ultrassom desfocado ao fundo

Endometriose: nova diretriz permite diagnóstico sem cirurgia

Endometriose pode ser diagnosticada pela história, pelo exame e pelo ultrassom, sem exigir cirurgia para começar a cuidar: o que muda com a diretriz de 2026.

Tem uma cena que se repete no consultório. Uma mulher que há anos convive com uma cólica que não é a cólica comum: aquela que dobra ao meio, que falta ao trabalho, que atrapalha a relação e o dia seguinte. Em algum momento ela ouviu que "cólica é normal". Em outro, ouviu que só descobriria o que era "abrindo na cirurgia". Entre uma coisa e outra, foram-se anos. Não é exagero: segundo a OMS, o tempo médio entre os primeiros sintomas e o diagnóstico de endometriose fica entre 4 e 12 anos.

Uma diretriz clínica publicada em 2026 pelo Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) mexe justamente nesse ponto. Ela reconhece que a endometriose pode ser diagnosticada pela história da paciente e pelo exame físico, e que esse diagnóstico clínico já é suficiente para iniciar o tratamento clínico, sem exigir a videolaparoscopia como passo obrigatório. O ultrassom transvaginal passa a ser o exame de imagem de primeira linha, com a ressonância reservada para mapear a doença mais profunda quando necessário. A mesma diretriz orienta não usar o marcador de sangue CA-125 para essa finalidade, e vale inclusive para adolescentes.

O que muda, na prática, não é o tratamento em si, é o tempo. Quando a suspeita clínica basta para investigar e iniciar o cuidado, cai uma barreira que adiava tudo: o medo de que "só a cirurgia resolve o diagnóstico". A endometriose não tem cura, e nenhuma conduta se decide por um texto. Mas conviver com dor por anos achando que é preciso operar antes de qualquer coisa é diferente de investigar cedo, com o exame certo, e conversar sobre as opções.

No C+Med, a leitura é sempre individual. A dor é escutada com seriedade, a história é cruzada com o exame e com o ultrassom, e o plano de cuidado é conversado com a mulher, sem promessa e sem pressa. Quem avalia o seu caso é o seu médico. Se você se reconhece nessa cólica que não passa, ou já ouviu que "é normal", falar com a nossa equipe pelo WhatsApp da central pode ser o primeiro passo para investigar com calma.

Fontes

Leia a seguir